Soy loco por tí, América

o lugar da raça na representação da América Latina numa escola de samba do Rio de Janeiro

Autores

  • Juliano Dumani Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
  • Camila Daniel Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

DOI:

https://doi.org/10.23899/ev20c204

Palavras-chave:

Amefricanidade, Escola de samba, Mestiçagem, Racismo, Relações étnico-raciais

Resumo

Este artigo tem o objetivo de analisar o papel da raça na representação de “América Latina” construída no Brasil. Como estudo de caso, analisamos o enredo “Soy loco por tí América: A Vila Canta a Latinidade” do G.R.E.S Unidos de Vila Isabel, campeão do desfile do carnaval carioca de 2006. O desfile, que teve uma grande repercussão na região, enfatizou a importância do Brasil em fortalecer a integração latino-americana. A partir do conceito de “amefricanidade” (Gonzalez,1988), examinamos os aspectos discursivos e estéticos apresentados pela Escola no seu desfile que representam a “América Latina” numa ambiguidade entre a violência da colonização e a construção de um continente mestiço em que a violência colonial desaparece. Nesta narrativa, a participação das populações negras na construção do continente é sistematicamente invisibilizada, mesmo quando se aborda expressões da cultura afrodiásporica, como a Rumba, de Cuba, e o Tango, da Argentina. Este artigo se baseia na análise de conteúdo do enredo, do samba-enredo e do desfile televisionado.

Biografia do Autor

  • Juliano Dumani, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

    Mestrando em Patrimônio, Cultura e Sociedade: Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGPaCS/UFRRJ); Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Brasil; judumani@ufrrj.br.

  • Camila Daniel, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

    Doutora em Ciências Sociais; Docente do Programa de Pós-graduação em Patrimônio, Cultura e Sociedade da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (PPGPaCS/UFRRJ); Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, Brasil; camiladaniell@gmail.com.

Referências

CÉSAIRE, Aimé. Discurso sobre o colonialismo. São Paulo: Veneta, 2020.

CÍRIO, N.P. La presencia del negro en grabaciones de tango y generos afines. Em Pauta, Porto Alegre, v. 15, n. 25, jul.-dez. 2004. Disponível em: https://seer.ufrgs.br/index.php/EmPauta/article/view/8512/4937. Acesso em: 02 out. 2024.

DANIEL, C. A afroperuanidad como identidade hemisférica: a construção de identidades raciais políticas na experiência migratória negra. Tessituras, Pelotas/RS, v. 9, n. 1, p.236–258, jan-jun 2021. Disponível em: https://revistas.ufpel.edu.br/index.php/tessituras/article/view/1099. Acesso em: 20 mai. 2024. DOI: https://doi.org/10.15210/tes.v9i1.19329

_________. P'a crecer en la vida: a experiência migratória de jovens peruanos no Rio de Janeiro. Tese (doutorado). Programa de Pós-graduação em Ciências Sociais. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Departamento de Ciências Sociais, 2013.

_________. “When I discovered I was índia”: racialization processes in the migratory experiences of peruvians in Rio Janeiro. Vibrant: Virtual Brazilian Anthropology, [S. l.], v. 17, p. 1-19, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1809-43412020v17d701. Acesso em: 03 out. 2024. DOI: https://doi.org/10.1590/1809-43412020v17d701

ESTANISLAU, L. Bolívar na Sapucaí: relembre o ano em que a Venezuela 'ganhou' o carnaval carioca. Brasil de Fato. Publicado em: 12 fev. 2024. Disponível em: https://www.brasildefato.com.br/2024/02/12/bolivar-na-sapucai-relembre-o-ano-em-que-a-venezuela-ganhou-o-carnaval-carioca. Acesso em: 07 jun. 2024.

FRANÇA, X. 'Estou curando minhas feridas acessando a minha história', diz Xenia França. Entrevista concedida a Kamille Viola. Rio Adentro, 09 nov. 2018. Disponível em: https://rioadentro.blogosfera.uol.com.br/2018/11/09/estou-curando-minhas-feridas-acessando-a-minha-historia-diz-xenia-franca/. Acesso em: 27 mai. 2024.

FREYRE, G. Casa-Grande & Senzala. Rio de Janeiro: Maia & Schmidt, 1933.

GATES JR., H. L. Os negros na América Latina. Trad. Donaldson M. Garschagen. São Paulo: Cia das Letras. 2014.

GUTIÉRREZ, B. B. La rumba autóctona de Cuba: de baile lascivo a patrimonio cultural de la nación cubana. Perfiles de la Cultura Cubana, [S. l.], n. 26, p. 79–101, 2020. Disponível em: https://perfiles.cult.cu/index.php/perfiles/article/view/101. Acesso em: 03 out. 2024.

GONZALEZ, L. A categoria político-cultural de amefricanidade. Tempo Brasileiro, Rio de Janeiro, n. 92/93, p.69-82, jan.-jun. 1988.

HELG, A. Os afro-cubanos, protagonistas silenciados da história cubana. Revista de Estudos e Pesquisas sobre as Américas, v. 8, n. 1, p. 29–51, 2014. Disponível em: https://periodicos.unb.br/index.php/repam/article/view/18476. Acesso em: 27 mai. 2024. DOI: https://doi.org/10.21057/repam.v8i1.11447

HOLANDA, S. B. Raízes do Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1995.

HOSKEN, L. H. D. B. As Epopeias de Alexandre Louzada, o Grande: do épico nos desfiles das escolas de samba às encruzilhadas louzadianas. Dissertação (Mestrado em Ciência da Literatura). Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Programa de Pós-graduação em Ciência da Literatura. Rio de Janeiro, 2022. Disponível em: https://posciencialit.letras.ufrj.br/wp-content/uploads/2024/02/As-epopeias-de-Alexandre-Louzada_O-Grande_-oficial-Revisado.pdf. Acesso em: 07 jun. 2024.

LOUZADA, A. (carnavalesco); VARELA, A.; VILA, M. (autores do enredo). Soy Loco Por Tí, América: A Vila Canta a Latinidade. G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel, 2006. In: Livro Abre-Alas – Domingo, LIESA [Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro], Rio de Janeiro, p.167-210, 2006.

MARX, K. O 18 de brumário de Luís Bonaparte. São Paulo: Boitempo, 2011.

MIGNOLO, W. D. La idea de América Latina: La herida colonial y la opción decolonial. Gedisa Editorial SA, 2007.

PRA QUE ME CHAMAS? Intérprete: Xênia França. Compositores: Lucas Cirillo e Xênia França. 2017. Disponível em: https://youtu.be/ZEpV3C1JO60. Acesso em: 27 mai. 2024.

QUIJANO, A. Colonialidad del poder y clasificación social. Journal of world-systems research, v. 11, n. 2, p. 342-386, 2000. DOI: https://doi.org/10.5195/jwsr.2000.228

RUFINO, L. Pedagogia das Encruzilhadas. 1.ed. Rio de Janeiro: Mórula, 2019. DOI: https://doi.org/10.24065/2237-9460.2019v9n4ID1012

SIMAS, L. A.; FABATO, F. Pra tudo começar na quinta-feira: O enredo dos enredos. 1.ed. Rio de Janeiro: Mórula, 2015.

SOARES, P. Estatal venezuelana investe no Carnaval e promove Chávez. Folha de São Paulo. Publicado em: 24 fev. 2006. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/fsp/dinheiro/fi2402200631.htm. Acesso em: 07 jun. 2024.

SOY LOCO POR TÍ, AMÉRICA: A Vila Canta a Latinidade. Intérprete: Tinga. Compositores: André Diniz, Serginho 20, Carlinhos do Peixe e Carlinhos Petisco. G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel, 2006. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=NsR_o-GntYs. Acesso em: 20 mai. 2024.

VASCONCELOS, J. La raza cósmica. México: Espasa-Calpe Mexicana, 1948.

Downloads

Publicado

06/06/2026

Edição

Seção

Dossiê - Diálogos Amefricanos: Aquilombamento Epistêmico

Como Citar

DUMANI, Juliano; DANIEL, Camila. Soy loco por tí, América: o lugar da raça na representação da América Latina numa escola de samba do Rio de Janeiro. RELACult - Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade, [S. l.], v. 10, n. 2, 2026. DOI: 10.23899/ev20c204. Disponível em: https://periodicos.claec.org/index.php/relacult/article/view/2475. Acesso em: 12 jun. 2026.