Políticas de produção de conhecimento
experiências racializadas na Universidade e a transformação da narrativa acadêmica
DOI:
https://doi.org/10.23899/b4v00s20Palavras-chave:
Escrita, Produção de conhecimento racializado, Políticas de narratividadeResumo
Partindo da consideração da mudança do perfil de ingressantes na universidade, a partir da Lei de Cotas para o Ensino Superior, o presente artigo busca discutir como a crescente entrada (e permanência) de populações minoritárias em representação nos espaços universitários tem fomentado a construção de ferramentas ético-metodológicas de ensino e pesquisa que enfrentem os discursos hegemônicos aos quais a universidade está historicamente atrelada. Considerando a importância da criação de espaços de diálogo e pesquisa comprometidos com a especificidade da experiência racial brasileira, acreditamos que a sala de aula é um local de disputa discursiva e propomos uma reflexão sobre as modalidades racializadas de leitura e escrita acadêmica. A partir de experiências como discente e docente negras de um polo de interior, de uma universidade federal, apostamos na construção de narrativas ficcionalizadas e no contágio que o gesto literário propicia ao transladar experiências vividas. Trata-se, pois, de reivindicar o direito à palavra para construir coletivamente um mundo e uma universidade mais inclusivos.
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