"Baixar no terreiro quilombo Caxias"
notas sobre a reivindicação do quilombo como afirmação do existir enquanto comunidade, memória e saber ancestral
DOI:
https://doi.org/10.23899/4ndamb74Palavras-chave:
Educação, Práticas afro-diaspóricas, Escola de SambaResumo
Este trabalho é parte de um processo de investigação sobre a Escola de Samba Acadêmicos do Grande Rio. Nele buscamos pensar a agremiação carnavalesca como lugar de reivindicação da noção de quilombo como afirmação da identidade política, memória e saber ancestral da comunidade. Dessa forma, buscamos ler a escola de samba, no território de Duque de Caxias, como lugar produtor de reposicionamentos éticos e estéticos em caráter afirmativo e retomada de fundamentos ancestrais das comunidades negras na diáspora. Na reflexão proposta, objetivamos evidenciar a relação da Grande Rio com os estudos acerca do quilombo, através de análise bibliográfica e observação participante. Temos defendido como hipótese que as reverberações do enredo do carnaval de 2020 (Tata Londirá: O Canto do Caboclo no Quilombo de Caxias), e a reivindicação da noção “quilombo Caxias”, cantada no samba enredo, confluem com as teses de Beatriz do Nascimento sobre a reivindicação e inscrição do quilombo como território inventivo, lúdico e existencial das comunidades negro-africanas em diáspora. Outra perspectiva analítica traçada é junto ao diálogo entre a Grande Rio, Beatriz do Nascimento e o pensamento de Antonio Bispo do Santos. Nesse ponto, lemos uma relação entre as reivindicações percebidas no contexto carnavalesco da escola de samba com a sugestão de Bispo (2022), da roça de quilombo como lugar de lavra política e poética.
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