A dor invisível do cárcere: um olhar interseccional para o encarceramento e o sofrimento psíquico de mulheres negras
DOI:
https://doi.org/10.23899/kgxvev56Palabras clave:
Intersecionalidade, Sofrimento Psíquico, mulheres negras encarceradasResumen
El presente estudio tiene como objetivo investigar la intersección de marcadores sociales de desigualdad que contribuyen al encarcelamiento de mujeres negras en Brasil, analizando sus consecuencias en la producción de sufrimiento psicológico desde la perspectiva de la interseccionalidad. La investigación, desarrollada como parte de mi tesis de maestría, buscó comprender cómo el racismo, en sus múltiples formas, combinado con el machismo y las desigualdades económicas, perpetúa un ciclo de exclusión y marginación que impacta profundamente las vidas de estas mujeres. Este estudio radica en la necesidad de resaltar las dinámicas estructurales que perpetúan la vulnerabilidad y la violencia contra las mujeres negras, especialmente en el contexto del sistema penitenciario, y ampliar el debate sobre las interseccionalidades que configuran las experiencias de estas mujeres, contribuyendo a la formulación de políticas públicas más inclusivas y efectivas. El estudio adoptó un enfoque cualitativo e interseccional como herramienta analítica, utilizando entrevistas semiestructuradas, análisis de documentos y revisión de literatura para comprender las trayectorias de las mujeres negras encarceladas y los impactos del sistema penitenciario en su salud mental. Se analizaron datos secundarios sobre el perfil de la población carcelaria femenina y las condiciones carcelarias, con el objetivo de contextualizar las narrativas recolectadas. Los resultados revelan las condiciones precarias del sistema penitenciario, la negligencia del Estado en relación con los derechos humanos y la ausencia de políticas adecuadas de atención a la salud mental. El análisis demuestra que el encarcelamiento de mujeres negras no es un fenómeno aislado, sino más bien el resultado de una estructura social que combina opresión histórica y sistémica.
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