Pela Língua dissidente e por Corpos dançantes:

Resistências De(s)coloniais do Quilombo dos Carrapatos

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23899/relacult.v7i1.2173

Palavras-chave:

Congada, Gira da Tabatinga, De(s)colonialidade, Quilombo, Minas Gerais

Resumo

O trabalho visa apresentar um breve estudo acerca do encontro da cultura africana (principalmente Banto) com a brasileira e a influência da expressividade, corporalidade e a língua do Quilombo dos Carrapatos da cidade de Bom Despacho – MG. Assim, com o objetivo de traçar uma relação entre de(s)colonialidade e o processo de resistência cultural da comunidade por aproximadamente 304 anos em meio a escravidão e subalternização. Será discorrido como a língua e as festas regionais (principalmente o congado) se tornaram meios de efetivação de resistências dessas existências. A metodologia utilizada é qualitativa do tipo estudo de caso e bibliográfica. A partir desse ponto, verificar-se-á como a língua tem uma influência direta no processo de identidade dessa comunidade e como a desobediência linguística deve ser enxergada como manifestação social que contraria os preconceitos concebidos pela população de Bom Despacho.  

Biografia do Autor

Vanessa Nogueira Paiva, FAEP - Faculdade de Educação de Patos de Minas

Estudante do curso de Direito pela FAEP - Faculdade de Educação de Patos de Minas - MG. Membro integrante do Laboratório de Ciências Criminais de Minas Gerais do IBCCRIM. Bolsista de Iniciação Científica no CLAEC. Integrante do Grupo de Estudos Processo Penal e Antirracismo do Observatório da Mentalidade Inquisitória. E-mail: paiva.vanessa@outlook.com.br

Walkyria Chagas da Silva Santos , UFT

Professora do Curso de Direito da Universidade Federal do Tocantins (UFT). Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Direito, da Universidade de Brasília (UnB). Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Estado e Sociedade, da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Mestra em Gestão de Políticas Públicas e Segurança Social pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). Especialista em Gestão de Políticas Públicas em Gênero e Raça e em Direito do Estado, pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Integrante do Grupo de Pesquisa MARÉ – Cultura Jurídica e Atlântico Negro (UnB). Integrante do Coletivo Dandaras (UFSB). Pesquisadora associada do Centro Latino-americano de Estudos em Cultura (CLAEC). Coordenadora do Grupo de Estudos De(s)colonizando mentes feministas em territórios Afrodiaspóricos: Construção coletiva de nova metodologia (CLAEC).

Célia Souza da Costa , Instituto Federal do Amapá

Doutora em Educação pela PUC/PR. Mestra em Direito Ambiental e Políticas Públicas. Professora do IFAP. Palestrante e Pesquisadora das comunidades do Maruanum (AP) e dos povos tradicionais da Amazônia. Coordenadora do Grupo de Estudos De(s)colonizando mentes feministas em territórios Afrodiaspóricos: Construção coletiva de nova metodologia (CLAEC). E-mail: celia.amapa@hotmail.com

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Publicado

07/06/2021

Como Citar

Paiva, V. N., Santos , W. C. da S., & Costa , C. S. da. (2021). Pela Língua dissidente e por Corpos dançantes:: Resistências De(s)coloniais do Quilombo dos Carrapatos. RELACult - Revista Latino-Americana De Estudos Em Cultura E Sociedade, 7(1). https://doi.org/10.23899/relacult.v7i1.2173

Edição

Seção

Dossiê: - Povos e comunidades tradicionais, ancestralidade e decolonialidade