Alimentação como um patrimônio:

definição, pesquisa e métodos de abordagem na educação escolar indígena

Autores

DOI:

https://doi.org/10.23899/relacult.v7i1.2140

Palavras-chave:

Alimentação indígena, Educação, Interculturalidade, Patrimônio

Resumo

Este artigo analisa a abordagem e a pesquisa sobre a alimentação no âmbito educacional indígena. Para tal, utiliza pesquisa bibliográfica mediada por análise documental. Situa a alimentação enquanto um patrimônio histórico, cultural e imaterial dos povos indígenas, que transcende fatores biológicos e se consolida na conjuntura de representações, saberes e práticas ancestrais. Apresenta o estado do conhecimento da pesquisa em alimentação indígena no Brasil, sob um recorte temporal de dez anos. Reflete sobre a abordagem da alimentação na educação escolar indígena, expressando seus desafios e potencialidades. Consideramos que a alimentação indígena enquanto patrimônio, contempla a historicidade e aspectos sociopolíticos, o que exige a reivindicação de direitos essenciais em meio a um sistema que gera injustiças e desigualdades. Evidenciamos que a produção acadêmica sobre alimentação indígena no Brasil, ainda se apresenta como um cenário incipiente, e escasso quando buscamos estudos com viés educacional. Entendemos que através da proposta intercultural presente na educação escolar indígena, a aprendizagem e o compartilhamento de experiências proporciona a socialização dos saberes alimentares, mas para isso, o engajamento da comunidade local, uma gestão escolar indígena, a formação inicial e continuada para professores indígenas e não indígenas, e sobretudo, o apoio do Estado, são elementos imprescindíveis.

Biografia do Autor

Murilo Has, Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO)

Mestrando em Educação; Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO); Guarapuava, Paraná, Brasil; murilohas.mh@gmail.com

Marcos Gehrke, Universidade Estadual do Centro-Oeste

Doutor em Educação pela Universidade Federal do Paraná (2014). Professor adjunto da Universidade Estadual do Centro-Oeste (UNICENTRO) e do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE). Coordenador do Curso de Pedagogia para Indígena. Tem experiência na área de Educação, com ênfase nos seguintes temas: formação de educadores, educação do campo, educação escolar indígena, escola itinerante, escola do campo, biblioteca escolar, práticas de leitura e escrita. Membro da Rede Latino-Americana de Estudos e Pesquisas marxistas em Educação do Campo. Membro do Programa Interinstitucional de pesquisa e formação intercultural/bilingue de professores indígenas do Paraná. E-mail: marcosgehrke@gmail.com

Rosângela Faustino, Universidade Estadual de Maringá

Pós-Doutora em Conhecimento e Inclusão Social em Educação (FAE/UFMG-MG). Doutora em Educação (PPGE/UFSC). Mestre em Fundamentos da Educação (PPE/UEM). Graduada em Pedagogia (FAINSEP) e História (UEM). É Professora das licenciaturas de Pedagogia (UEM/PR) e Pedagogia Indígena (UNICENTRO/PR). Tem experiencia em Formação de Professores Indígenas, Currículo Intercultural, Gestão Escolar, Política Educacional e Diversidade Cultural.

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Publicado

07/06/2021

Como Citar

Has, M., Gehrke, M., & Faustino, R. (2021). Alimentação como um patrimônio: : definição, pesquisa e métodos de abordagem na educação escolar indígena. RELACult - Revista Latino-Americana De Estudos Em Cultura E Sociedade, 7(1). https://doi.org/10.23899/relacult.v7i1.2140

Edição

Seção

Dossiê: - Povos e comunidades tradicionais, ancestralidade e decolonialidade