Retratos de mortos e desaparecidos pela ditadura civil-militar brasileira e argentina

Autores

  • Katia Helena Rodrigues Dias Universidade Federal de Pelotas
  • Francisca Ferreira Michelon

DOI:

https://doi.org/10.23899/relacult.v6i4.1755

Palavras-chave:

Retratos de mortos e desaparecidos, políticas de memória, ditadura civil-militar, Brasil, Argentina

Resumo

As ditaduras civis-militares surgidas na América Latina a partir da segunda metade do século XX tiveram como características comuns um autoritarismo repressivo contra seus opositores políticos ou qualquer pessoa que apresentasse ideologia diversa à ditadura e tudo o que ela representava. Como consequência, o governo militar de países como Brasil (1964 – 1985) e Argentina (1976 – 1983) estabeleceu sua base na Doutrina de Segurança Nacional, que tinha como objetivo inibir focos de resistência ao regime militar, justificado na ameaça do comunismo vigente na época. Nesse contexto, criou-se um estado de terror generalizado na população, o terror proveniente do Estado, conhecido também como Terrorismo de Estado. Nessa situação, muitas pessoas consideradas subversivas ou inimigas da nação por discordarem ou lutarem contra a tomada de poder foram presas, torturadas, mortas e desaparecidas.  Nesse contexto, o presente estudo versa sobre os usos dos retratos de mortos e desaparecidos, a partir do processo de transição política (redemocratização) brasileira e argentina e tem como objetivo desenvolver uma análise comparada a partir da implementação de políticas públicas voltadas às memórias das vítimas e relacioná-las com os usos atribuídos a esses retratos a partir da consolidação de políticas de memória em cada país. Entre as diversas formas de implementação dessas políticas, a criação de Espaços e Instituições de Memória voltadas à memória da repressão são uma das formas de reparação simbólica em homenagem às vítimas. Nesse sentido, serão considerados casos analisáveis as fotografias expostas em caráter permanente nas instituições de memória representativas dessa temática em cada país: Memorial da Resistência (Brasil) e Espaço de Memória e Direitos Humanos - ESMA (Argentina).

Referências

BERTONCELO, Edison Ricardo Emiliano."Eu quero votar para presidente": uma análise sobre a Campanha das Diretas.Lua Nova, núm. 76, pp. 169-196 Centro de Estudos de Cultura Contemporânea São Paulo, Brasil. 2009.

CATELA, Ludmila da Silva. Todos temos um retrato: indivíduo, fotografia e memória no contexto do desaparecimento de pessoas. Revista TOPOI, Revista de História. Programa de Pós-Graduação em História Social da UFRJ vol.13, nº. 24, jan.-jun, Rio de Janeiro, pp. 111-123, 2012. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/topoi/v13n24/1518-3319-topoi-13-24-00111.pdf.

DAVALLON, J. "Le muséeest-ilvraimentun média? Publics et Musées". Em: Presses Universitaires de Lyon, 1992, nº 2: p. 99-123. Disponível em: http://www.persee.fr/doc/pumus_1164-5385_1992_num_2_1_1017. Data da última consulta: fevereiro, 2017.

DELGADILLO, Juan Mario Solís. Los tiempos de la memoria en las agendas políticas de Argentina y Chile. Buenos Aires: Eudeba, 2015. p. 25-77

DIAS, Katia Helena Rodrigues. MICHELON, Francisca Ferreira. Retratos de desaparecidos no Espaço de Memória e Direitos Humanos/ESMA, Argentina. Revista Latino-Americana de Estudos em Cultura e Sociedade – RELACult. V. 05, ed. especial, artigo nº 1085, abr. 2019. Disponível em: http://periodicos.claec.org/index.php/relacult/article/view/1085

DIDI-HUBERMAN, George. Imágenes pese a todo: Memoria Visual do Holocausto. Barcelona: Paidós Ibérica, 2004.

_______________. Quando as imagens tocam o real. Pós: Belo Horizonte, v.2 n.4, p. 204, nov. 2012.

DREIFUSS, René. 1964: A conquista do estado. Rio de Janeiro: Vozes, 1987.

FERREIRA, Letícia. MICHELON, Francisca. Cicatrizes da Memória: fotografias de desaparecidos políticos em acervos de museus. In: Estudos Iberos-Americanos, Porto Alegre, v.41, nº.1, jan./jun. p.79-97, 2015.

GONÇALVES, Danyelle Nilin. Os sentidos e as disputas em torno da anistia e da reparação de perseguidos políticos no Brasil. Entre a memória e o esquecimentos: estudos sobre os 50 anos do golpe civil-militar no Brasil. (org.) Carlos Artur Gallo; Silvania Rubert. Porto Alegre: Editora Deriva. pp. 211 – 224, 2014.

JELIN, Elizabeth. Los trabajos de la memoria. Madrid, Siglo XXI de España Editores, 2002.

______________. La Lucha por el pasado: Cómo construímos la memoria social. 1ª ed – Ciudad Autónoma de Buenos Aires: ISBN: 978-987-629-748-6. Siglo XXI Editores. Argentina, 2017.

___________. Entrevista concedida a Carlos Artur Gallo. Cadernos do NUPPOME, Núcleo de Pesquisa sobre Políticas de Memória, UFPEL, ano 1, número 2, ISSN 2596-285X, pp. 5 – 12, agosto de 2019. Disponível em: https://wp.ufpel.edu.br/nuppome/2019/08/08/segundo-numero-da-cadernos-do-nuppome-e-publicado/

PADRÓS, Enrique Serra. A ditadura civil-militar uruguaia doutrina e segurança nacional. VARIA HISTORIA, Belo Horizonte, vol.28, n o 48, p.495-517: jul/dez 2012.

ZAVERUCHA, Jorge. Relações civil-militares: o legado autoritário da constituição brasileira de 1988. In: TELES, Edson, SAFATLE, Vladimir. (orgs.). O que resta da ditadura: a exceção brasileira. São Paulo: Boitempo, p. 41-76, 2010.

Downloads

Publicado

29/03/2020

Como Citar

Rodrigues Dias, K. H., & Michelon, F. F. (2020). Retratos de mortos e desaparecidos pela ditadura civil-militar brasileira e argentina. RELACult - Revista Latino-Americana De Estudos Em Cultura E Sociedade, 6(4). https://doi.org/10.23899/relacult.v6i4.1755

Edição

Seção

V - Encontro Humanístico Multidisciplinar