O rap nacional e o caso Djonga: por uma sociologia das ausências e das emergências

Autores

  • Rhuann Fernandes Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

DOI:

https://doi.org/10.23899/relacult.v5i3.1657

Palavras-chave:

Teorias do Sul, RAP, Saberes Emancipatórios, Djonga.

Resumo

Na atualidade tem ocorrido um efervescente debate na Teoria Sociológica por conta das problematizações trazidas pelas Teorias do Sul. Um dos principais apontamentos é identificar as ausências na abordagem sociológica, fazendo emergir atores ocultados e os conhecimentos por eles produzidos, na tentativa de valorizar a diversidade epistemológica do mundo. Dessa forma, este trabalho efetua uma reflexão acerca da dimensão transcultural, política e estética do RAP na produção de saberes emancipatórios e aponta para os possíveis diálogos entre esse gênero musical e os posicionamentos éticos no que tange aos fazeres sociológicos. Analisa-se trechos de composições do rapper Djonga, verificando sua música como instrumento de combate e estratégia de descolonização do cotidiano, a partir de uma análise minuciosa de questões sociais, como a conjuntura político-moral e proposições de possíveis ações de (re)existências. Finaliza-se apontando para o discurso do rapper que expande a noção das questões sociais do país, um artifício utilizado para quebrar o silêncio, ora do legado colonial, ora de seus resultados na construção incessante da sociedade brasileira.

Biografia do Autor

Rhuann Fernandes, Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

Graduado em Ciências Sociais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/CNPq na Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desenvolvendo a pesquisa: O Corpo em Instituições Escolares, sob orientação do Prof.º Dr.º Antonio Jorge Gonçalves Soares. É também Bolsista de Iniciação Científica PIBIC/PIBIT pelo Departamento de Sociologia do Instituto de Ciências Sociais (ICS) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), promovendo a pesquisa: Violência armada, território e educação no Rio de Janeiro: impactos das UPPs sobre o crime e contextos escolares, sob orientação do Prof.º Dr.º Eduardo Ribeiro da Silva. É monitor da disciplina Técnicas de Pesquisa I A do Departamento de Sociologia (ICS/UERJ), também sob do orientação do Prof.º Dr.º Eduardo Ribeiro da Silva. É pesquisador na Bloco 4 Foundation, promovendo a construção de espaços de pesquisa sobre ativismo, cidadania e políticas sociais em Moçambique e atuando nos Programas de Pesquisa: Artivismo e o Direito a Cidade e RAProtestar. Integra o Grupo de Pesquisa Ciências Sociais e Educação, ligado ao departamento de Sociologia do Instituto de Ciências Sociais da UERJ, Coordenado pela Prof.ª Dr.ª Helena Maria Bomeny. No momento presente, também está inserido no Grupo de Pesquisa Áfricas: política, sociedade e cultura (UERJ-UFRJ), sob coordenação do Prof.º Dr.º Washington Santos Nascimento. Fernandes tem interesse e desenvolve estudos nas áreas de Antropologia e Sociologia, com ênfase nos estudos de Teoria Sociológica, Desigualdades, Pensamento Político Brasileiro, Antropologia Política, Epistemologia das Ciências Sociais e Teoria Pós-colonial. 

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Publicado

20/01/2020

Como Citar

Fernandes, R. (2020). O rap nacional e o caso Djonga: por uma sociologia das ausências e das emergências. RELACult - Revista Latino-Americana De Estudos Em Cultura E Sociedade, 5(3). https://doi.org/10.23899/relacult.v5i3.1657

Edição

Seção

Artigos - Fluxo Contínuo