Escrita Epistolar – cartografias de uma epistemologia feminista

Autores

  • Camila Ribeiro de Almeida Rezende Universidade Federal do Paraná

DOI:

https://doi.org/10.23899/relacult.v5i5.1444

Palavras-chave:

escrita acadêmica, escrita epistolar, epistemologia, feminismo, subjetividades

Resumo

A estética de um texto acadêmico não reflete somente nossas influências teóricas; ela é, antes de tudo, um meio de expressão. Deste modo, a escolha por como escrever um texto não está relacionada apenas ao molde que se é cobrado, ela é também baseada em uma biblioteca de referências que vamos nutrindo. Quando nos questionamos sobre as influências teóricas que fundam nossos saberes, há em suas bases muitas mulheres? Dentre elas, há muitas mulheres negras? Quais são as nacionalidades? E pensando no gênero acadêmico, como os grupos sócio-acêntricos se comportam diante da cobrança de uma escrita padrão? Nessa estética, que também é ética, o que se imprimem/exprimem deles? Partindo desses questionamentos como dispositivos, busco refletir neste artigo sobre a escrita acadêmica, focando nas implicações epistemológicas existentes entre a forma e o conteúdo. O gênero acadêmico é técnico e regulado e, portanto, busca negar uma escrita pessoal, emotiva, de experiências subjetivas. Ademais, menos que uma tentativa de universalizar uma forma, é a negação de alguns conteúdos e temas, que somente são passíveis de materialização sobre uma estética Outra. Ao refletir sobre essas questões, utilizo a minha própria escrita para isso. Desse modo, escolho uma escrita epistolar, no sentido proposto por Deleuze e Guattari, como uma espécie de literatura menor, que se configura como escolha e posicionamento ético/estético capaz de fomentar a reflexibilidade do processo da escrita e de cartografar algumas desestabilizações dos saberes consagrados, o que as epistemologias feministas permitem.

Biografia do Autor

Camila Ribeiro de Almeida Rezende, Universidade Federal do Paraná

Doutoranda no Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal do Paraná [bolsista Capes]. Mestra em Artes (Teorias e Processos Poéticos Interdisciplinares) pelo Programa de Pós-graduação em Artes, Cultura e Linguagens da Universidade Federal de Juiz de Fora (2015-2017) [com bolsa integral Pro-PG/UFJF de estágio docência]. Graduou-se na mesma instituição como Bacharela em Artes e Design (2010-2014), com período de intercâmbio acadêmico em Artes Plásticas na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto - Portugal [com bolsa da Secretaria de Relações Internacionais da UFJF]. É pesquisadora nas áreas de arte, sociologia e antropologia do corpo e da escrita. Investigou no mestrado as conexões entre fisiculturismo, arte e literatura, focando nas intersecções entre o corpo e o texto. Atualmente no doutorado, investiga a escrita acadêmica e os processos criativos, com ênfase no corpo e nas emoções. É Coordenadora de Atividades Formativas e Assessora de Escrita Acadêmica no primeiro writing center do Brasil - o Centro de Assessoria de Publicação Acadêmica (CAPA) da Universidade Federal do Paraná (UFPR). É também Integrante do grupo de pesquisa Internacionalização de Pesquisa Científica Brasileira em parceria com a University of Oxford e a University of Nottingham.

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Publicado

31/05/2019

Como Citar

Rezende, C. R. de A. (2019). Escrita Epistolar – cartografias de uma epistemologia feminista. RELACult - Revista Latino-Americana De Estudos Em Cultura E Sociedade, 5(5). https://doi.org/10.23899/relacult.v5i5.1444

Edição

Seção

II - Seminário Latino-Americano de Estudos em Cultura