O lugar do desenho na metodologia aplicada às Ciências Humanas: uma alternativa de como narrar pesquisas etnográficas.

Autores

  • Tanize Machado Garcia Universidade Federal de Pelotas
  • Guilherme Rodrigues de Rodrigues Universidade Federal de Pelotas

DOI:

https://doi.org/10.23899/relacult.v5i4.1381

Palavras-chave:

desenho, antropologia-visual, método-etnográfico, mercado-público-Pelotas, CRV-Louis-Braille

Resumo

Como narrar? Essa é uma questão perseguida por pesquisadoras (es) na hora de escreverem suas etnografias. Dar conta de gestos, sensações, aromas, sabores, cores, relações e tantos outros detalhes são desafios a serem enfrentados. A tendência atual de retomar o desenho como elemento da produção de dados empíricos, na contemporaneidade, evidencia o potencial de aprofundamento de contextos e abstrações do campo. Neste trabalho propomos contemplar o desenho como método pertinente na pesquisa antropológica, valendo-se tanto do processo de desenhar quanto do próprio produto em si. Um dos recortes desse trabalho resulta da pesquisa etnográfica de mestrado em Antropologia Social e Cultural (UFPel) da autora, tendo como tema as dinâmicas sociais no Mercado Público de Pelotas (RS), após a política pública de intervenção municipal em parceria com o IPHAN, para a requalificação do prédio e entorno que ocorreu entre 2009 e 2012. O outro recorte que trazemos aqui resulta da etnografia realizada pelo autor para a conclusão de curso do Bacharelado em Antropologia (UFPel), na qual discute sobre o cotidiano de pessoas com deficiência visual na cidade, tendo em vista todos os problemas históricos de não acessibilidade desencadeados pelas concepções de meio urbano daqueles que tem visão. Assim, apresentamos o desenho, através da antropologia visual, como método e recurso narrativo para a pesquisa em ciências humanas.

Referências

AZEVEDO, A.. Diário de Campo e Diário Gráfico: contribuições do desenho à antropologia. Áltera – Revista de Antropologia, João Pessoa, v. 2, n. 2, p. 100-119, jan. / jun. 2016. Disponível em <http://periodicos.ufpb.br/index.php/altera/article/view/34737>. Acesso: jul. 2017.

AZEVEDO, A.. Desenho e Antropologia: Recuperação Histórica e Momento Atual. Rev. Cadernos de Arte e Antropologia, Vol.5, nº.2, p. 15-32; 2016. Disponível em <https://journals.openedition.org/cadernosaa/1096?file=1>. Acesso: jan. 2019.

CUSTÓDIO, L. A.. Roteiros de arquitetura da Costa Doce: Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Ed. Sebrae, 2009.

GARCIA, T.. Dinâmicas do patrimônio cultural: O caso do Mercado Público de Pelotas - RS. In SANTOS. A.B.; MACHADO, J. P.; COLVERO, R. B.. Interdisciplinaridades

nas Ciências Humanas: Caminhos da pesquisa contemporânea. (Orgs.) (Livro eletrônico). Jaguarão: CLAEC, 1 ed., p. 1858-1873, 2017.

Disponível em <https://books.google.com.br/books?id=hTVCDwAAQBAJ&lpg=PP1&hl=pt-BR&pg=PP1#v=onepage&q&f=false>. Acesso: dez. 2017.

GARCIA, T. Mercado Público de Pelotas no País das Maravilhas: uma etnografia sobre a pluralidade narrativa de um patrimônio em disputa. (Dissertação de Mestrado) Programa de

Pós-Graduação em Antropologia, UFPel. Pelotas, 201; 212p.

KUSCHNIR, K.. A antropologia pelo desenho: Experiências visuais e etnográficas. Cadernos de Arte e Antropologia, Vol. 5, n° 2, pag. 5-13, 2016.

MAUSS, Marcel. As técnicas do corpo. In:Sociologia e Antropologia, vol. II. São Paulo: Epu/Edusp, 1974.

NOVAES, S. C.. A antropologia Contemporânea - Temas de investigação, coleta de dados e modelos teóricos: O diálogo entre a antropologia, a psicologia e a linguística. In Jogo de Espelhos: Imagens e representação de si através dos Outros.. Ed. USP, p. 47-60, São Paulo, 1993.

PEIRANO, Mariza. Etnografia não é método. Horizontes Antropológicos. Porto Alegre: v.

, n. 42, p. 377-391, 2014. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ha/v20n42/15.pdf> Acesso: set. 2017

RODRIGUES, Guilherme R. de. Antropologia em ação: etnografia sobre o Centro de Reabilitação Visual Louis Braille em Pelotas-RS. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Antropologia – Antropologia Social e Cultural ou Arqueologia) — Instituto de Ciências Humanas, Universidade Federal de Pelotas, 2018.

RODRIGUES, G., MAGNI, C. Antropologia E Deficiência Visual: Pesquisa Etnográfica No Centro De Reabilitação Visual Louis Braille Em Pelotas-Rs. Caderno de resumos do XX Encontro de Pós-Graduação da UFPel. Disponível em: https://wp.ufpel.edu.br/enpos/. Acesso em: janeiro, 2017.

WAGNER, Roy. A invenção da Cultura. São Paulo: Cosac Naify, 2010.

Downloads

Publicado

05/05/2019

Como Citar

Garcia, T. M., & Rodrigues, G. R. de. (2019). O lugar do desenho na metodologia aplicada às Ciências Humanas: uma alternativa de como narrar pesquisas etnográficas. RELACult - Revista Latino-Americana De Estudos Em Cultura E Sociedade, 5(4). https://doi.org/10.23899/relacult.v5i4.1381

Edição

Seção

IV - Encontro Humanístico Multidisciplinar