As Coisas-memória na Arte da Performance

Autores

  • Tatiana dos Santos Duarte PPGArte - CEARTE - CNPq/CAPES - UFPel
  • Eduarda Azevedo Gonçalves Docente do programa de pós-graduação em Arte Visuais da UFPel

DOI:

https://doi.org/10.23899/relacult.v5i4.1151

Palavras-chave:

Arte Contemporânea, Coisas-memória, Performance, Poéticas Visuais.

Resumo

A pesquisa intitulada “As coisas-memória na arte da performance” desenvolvida no PPGAVI/UFPel é vinculada à linha de pesquisa Processo de Criação e Poéticas do Cotidiano, sob orientação da Profa. Dra. Eduarda Gonçalves e versa sobre o processo poético da performance como resultado de resgate de memórias vividas no contexto familiar e adquiridas no contato com produções artísticas. A prática artística desta pesquisa, em específico nos seus processos performáticos, conduz ao conceito de coisas-memória imbricando a linguagem das artes visuais e da dança. A reflexão é articulada à produção de performance evidenciando o conceito de coisa, revisto por Foucault e Deleuze, assim como o conceito de memória evidenciado pelo filosofo Henri Bergson. Colocando questões do presente e de um passado (infância com a avó, através de vídeos, objetos, roupas e fotografias), o conceito de coisas-memória reinventa as percepções ao se tornar ação performática. As vestimentas e objetos são algumas das visibilidades que vão dar a ver as dizibilidades expressadas nos atos em performances. Por estas questões se versa sobre duas performances realizadas: O que é daqui? Processos e Trajetos; Voz e Matéria, são igualmente evidenciadas nas referências artísticas de Marina Abramovic e Sophie Calle, abordando aspectos referentes à linguagem da performance que tem como disparo as relações interpessoais e da memória.

Biografia do Autor

Tatiana dos Santos Duarte, PPGArte - CEARTE - CNPq/CAPES - UFPel

Mestranda em artes visuais pelo Programa de Pós-graduação da Universidade Federal de Pelotas na linha de pesquisa Processos de Criação e Poéticas do Cotidiano (de 2017 até o presente momento), graduada em Teatro Licenciatura pela Universidade Federal de Pelotas (2009-2014), graduanda de Música Bacharelado em Canto pela Universidade Federal de Pelotas (de 2016 até o presente momento). É integrante da Cia Olhar do Outro desde 2010 como atriz, diretora e produtora. Atualmente é participante do Grupo de Pesquisa Grupo Deslocamentos Observâncias e Cartografias Contemporâneas - DESLOCC sob Orientação - Eduarda Azevedo Gonçalves.

Eduarda Azevedo Gonçalves, Docente do programa de pós-graduação em Arte Visuais da UFPel

Bacharel em Pintura pela Universidade Federal de Pelotas (1996). Realizou o Mestrado em Artes Visuais: ênfase em poéticas visuais, sob orientação da Profa. Dra. Sandra Rey (2000), pelo Programa de Pós-Graduação do Instituto de Artes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS e o doutorado, pelo mesmo Programa com a pesquisa Cartogravista de céus: proposições para compartilhamentos, sob orientação do prof. Dr. Hélio Custódio Fervenza (2011). É professora dos Cursos de Artes Visuais, na área de Fundamentos da Linguagem Visual [Percepção Visual], Pintura e Trabalho de Conclusão de Curso. Também atua no Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação - Mestrado em Artes Visuais, na linha de Processos de Criação e Poéticas do Cotidiano do Centro de Artes da Universidade Federal de Pelotas - UFPel, ministrando a disciplina Paisagens cotidianas e dispositivos de compartilhamentos. É líder do Grupo de Pesquisa Deslocamentos, observâncias e cartografias contemporâneas (UFPel/CNPQ) que investiga as seguintes temáticas: as relações entre arte e cotidiano, a cartografia de artistas, processos de compartilhamentos [arte colaborativa, arte propositiva], o deslocamento como ato estético, os espaços de apresentação da paisagem cotidiana na arte contemporânea, os dispositivos de arte que promovem a multiplicação e a circulação da obra em diferentes mídias [impressos e vídeos] e contextos - ruas, praças, escolas, entre outros, como também, a mediação da arte contemporânea. Os estudos contemplam diferentes pontos de vista, do artista, do professor-mediador e do receptor, por isso, orienta estudantes dos Cursos de Bacharelado [poética] e de Licenciatura em Artes Visuais [mediação]. Desenvolve projetos de extensão que envolve a experimentação, a produção e a reflexão de temas da pesquisa. Coordena a Galeria A Sala do Centro de Artes junto à Profa. Alice Monsell. Artista plástica que expõe em galerias, museus e realiza intervenções em espaços públicos. Atualmente possui um acervo de vistas do céu que compartilha em dispositivos distintos [cartões, observatórios, mirantes, álbuns] de apresentação e circulação da produção. O acervo já foi mostrado em exposições coletivas, individuais e intervenções em espaços públicos. Participa dos Grupos de Pesquisa Percursos poéticos: procedimentos e grafias da arte contemporânea (UFPel/CNPQ) e Veículos da Arte (UFRGS/CNPQ). Coordenadora do Programa de Pós-Graduação Mestrado em Artes Visuais da UFPel. Desde dezembro de 2017 Coordena o Programa de Pós-Graduação Mestrado em Artes Visuais do Centro de Artes da UFPel, e é representante da área de Linguística, Letras e Artes da PRPPGI, Em maio de 2018 foi eleita junto com o colega Edgar Gandra, coordenador do PPG de História representante ajunta dos coordenadores de Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu no Conselho Universitário - CONSUN..

 

Referências

“a metodologia de trabalho em atelier leva em conta a obra como processo [...] ao mesmo tempo um processo de formação e um processo no sentido de processamento, de formação de significado” (REY, 1996, p. 85).

“havia trazido comigo alguns desses belos minerais que encontrei lá: quartzo rosa, quartzo cristalino” (ABRAMOVIC, 2017, p. 225),

“narrar uma autobiografia afetiva” (D'ANGELO, 2015, p. 202)

“há provavelmente uma urgência de uma maior mobilidade na prática dos artistas [...] uma mobilidade tática, voltada para fora – sem prejuízo, é claro, do rigor de articulação interna do trabalho” (BRITO, 1975, p. 6 apud FUREGATTI, 2016, p. 2024)

“A pesquisa em arte vai encontrar respaldo teórico na poiëtica, que propõe-se como uma ciência e filosofia da criação, levando em conta as condutas que instauram a obra” (REY, 1996, p. 83)

Se na ciência os pesquisadores e cientistas costumam trabalhar em bloco, e se empenham na decodificação de fatos e interpretação de conceitos que permitam organizar o entendimento da realidade e descobrir princípios que regem o mundo e o universo, na arte, o artista segue ou inventa um certo número de regras que lhe permitem criar uma visão de mundo singular”. (REY, 1996, p. 83)

A primeira [forma de memória] registraria, sob forma de imagens-lembranças, todos os acontecimentos de nossa vida cotidiana à medida que se desenrolaram; ela não negligenciaria nenhum detalhe; atribuiria a cada fato, a cada gesto, seu lugar e sua data. Sem segunda intenção de utilidade ou de aplicação prática, armazenaria o passado pelo mero efeito de uma necessidade natural (BERGSON, 2010, p. 88).

“do fato que uma sensação rememorada torna-se mais atual quando sentimos melhor seu peso, que a lembrança da sensação era esta sensação nascente” (BERGSON, 2010, p. 158-159).

“experiência social da intimidade, do público e do privado, vivida de forma individuada como figura de uma produção subjetiva” (GONÇALVES, 2010, p. 209),

“Uma forma de arrumar e dispersar memórias (suas e dos outros) e de rearranjá-las” (GONÇALVES, 2010, p. 209),

“fazer artístico como práxis, portadora de uma dimensão teórica e, consequentemente, articulando o seu fazer de atelier como a produção do conhecimento” (REY, 1996, p. 82).

“essencialmente, a performance é um lugar de reencontro permanente, para quem jamais tomou contato com o que ela experiencia” (GLUSBERG, 2013, p. 103).

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Publicado

05/05/2019

Como Citar

Duarte, T. dos S., & Gonçalves, E. A. (2019). As Coisas-memória na Arte da Performance. RELACult - Revista Latino-Americana De Estudos Em Cultura E Sociedade, 5(4). https://doi.org/10.23899/relacult.v5i4.1151

Edição

Seção

IV - Encontro Humanístico Multidisciplinar