Desconstruindo Gênero em “Todo Sobre Mi Madre”

Autores

  • Maria Isabela Berenguer de Menezes Universidade Federal Rural de Pernambuco
  • Djaneide Jokasta Alves da Silva Universidade Federal Rural de Pernambuco
  • Natanael Duarte de Azevedo Universidade Federal Rural de Pernambuco

DOI:

https://doi.org/10.23899/relacult.v4i3.1045

Palavras-chave:

Desconstrução de gênero, Identidade de gênero, Teoria Queer, Cinema.

Resumo

Repleto de críticas sociais relacionadas à construção da identidade de gênero, ao papel do feminino, ao tradicionalismo da família e a seus padrões, o filme “Todo sobre mi madre”, de Pedro Almodóvar, aborda de forma profunda os reflexos da cultura androgênica no Ocidente. Dessa forma, o presente trabalho busca fazer uma reflexão sobre os papéis de gêneros contidos no imaginário social, amparados pelos estudos queer, em especial pela ótica de Butler (2016) e Bento (2011). A partir disso, percebemos que, nas civilizações onde a definição do gênero feminino é diretamente ligada à esfera familiar e à maternidade, o masculino torna-se referência de poder na construção coletiva, uma vez que tais posições relegadas às mulheres eram vistas como potencialmente “inferiores”, justificando assim a hipermasculinização vigente na sociedade. As “atividades masculinas” na esfera pública atrelam-se à concentração de poder e de valores materiais, o que faz, na grande maioria dos casos, do homem cisgênero, heterossexual o “provedor e protetor” da família, no âmbito da tradicionalidade familiar. Em contraposição, Almodóvar traz em seu drama um protagonismo quase que absolutamente feminino, a desconstrução da ideia de família tradicional, com a personagem Manuela, como mãe solteira e vista como ex-prostituta; bem como a personagem Lola, que desmistifica a figura do patriarca, pondo também em xeque a configuração unicamente opressora da masculinidade, visto que existe na personagem uma nítida relação fluída de identificação tanto da performatividades masculinas quanto femininas através da construção da transexualidade não tipificada.

Biografia do Autor

Maria Isabela Berenguer de Menezes, Universidade Federal Rural de Pernambuco

Aluna de graduação em Letras na UFRPE. Tem experiência na área de Teoria Queer, História da Leitura e Feminismo Negro.

 

Djaneide Jokasta Alves da Silva, Universidade Federal Rural de Pernambuco

Aluna de graduação em Letras da UFRPE. Atuando atualmente em Iniciação científica na área da Linguística.

Natanael Duarte de Azevedo, Universidade Federal Rural de Pernambuco

Doutor em Letras pelo Programa de Pós-Graduação em Letras (PPGL) da Universidade Federal da Paraíba. Possui o título de Mestre em Letras pelo mesmo Programa de Pós-graduação. Tem experiência na área de Literatura e Linguística, com ênfase em História da Literatura e da Leitura, Linguística saussuriana, Psicanálise lacaniana e Cinema, atuando principalmente nos seguintes temas: Literatura luso-brasileira do século XIX, movimentos de linguagem, cinema, linguística e psicanálise, sujeito. Atualmente é professor Adjunto da Universidade Federal Rural do Pernambuco e atua nos cursos de graduação das Engenharias na Unidade Acadêmica do Cabo de Santo Agostinho (UACSA/UFRPE) e no Programa de Pós-Graduação em História da UFRPE.

Referências

ALMODÓVAR, Pedro. (Produtor/Diretor). Todo sobre mi madre [Todo sobre mi madre]. [DVD]. Twentieth Century Fox Film Corporation. 101 min. color, 1999.

AZEVEDO, Natanael Duarte; MELO, Iran Ferreira de. A Construção do feminino em Olhos D’Água, de Conceição Evaristo: uma análise das performances pós-identitárias de gênero. Revista Línguas e Letras, Cascavel, v. 8 n. 40, 2017, p. 101-111. Disponível em: http://e-revista.unioeste.br/index.php/linguaseletras/article/viewFile/17144/pdf. Acesso em: 8 maio 2018.

BAVAGNOLI, Cláudia. Almodóvar, (Neo) Barroco e Imaginário. RUA – Revista Universitária do Audiovisual. 2008. Disponível em http://www.rua.ufscar.br/almododar-neo-barroco-e-imaginario/. Acessado em 18/07/2017.

BENTO, Berenice. Política da diferença: feminismos e transexualidades. In: COLLING, Leandro. Stonewall 40 + o que no Brasil? Salvador: EDUFBA, 2011, p. 79- 110.

BOURDIEU, Pierre. A miséria do mundo. 2ª ed. Petrópolis/RJ: Vozes, 1998.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismos e subversão da identidade. Trad. Renato Aguiar. 10 ed. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2016. (Coleção Sujeito e História).

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: história da violência nas prisões. Tradução de Raquel Ramalhete. 41. ed. Petrópolis: Vozes, 2005.

PRECIADO, Beatriz. Manifesto contrassexual. Trad. Maria Paula Gurgel Ribeiro. São Paulo: n-1 edições, 2014.

SANTOS, Boaventura de Sousa. Para uma sociologia das ausências e uma sociologia das emergências. In: Boaventura de Sousa Santos (Org.). Conhecimento prudente para uma vida decente: ‘um discurso sobre as ciências’ revisitado. São Paulo: Cortez, 2004. p. 777-821.

SPIVAK, Gayatri. Pode o subalterno falar? Belo Horizonte: Editora UFMG, 2010.

WITTIG, Monique. El pensamientoheterosexual y otrosensayos. (Tradução de Javier Sáez e Paco Vidarte). Beacon Press, Boston: Editorial EGALES, S.L., 2006.

Downloads

Publicado

05/05/2019

Como Citar

Menezes, M. I. B. de, Silva, D. J. A. da, & Azevedo, N. D. de. (2019). Desconstruindo Gênero em “Todo Sobre Mi Madre”. RELACult - Revista Latino-Americana De Estudos Em Cultura E Sociedade, 4(3). https://doi.org/10.23899/relacult.v4i3.1045

Edição

Seção

Dossiê - Estudos Interdisciplinares acerca de Minorias, Grupos Vulneráveis e Inclusão Social na América Latina