Mídia, poder e controle de subjetividade: a distorção da tentativa de golpe de 2002 na Venezuela

Autores

  • Ricardo Bruno Boff Universidade do Vale do Itajaí
  • Adriela Sutil da Rocha Universidade do Vale do Itajaí

DOI:

https://doi.org/10.23899/relacult.v3i3.528

Palavras-chave:

colonialidade do poder, conglomerados midiáticos, controle de subjetividade, Venezuela.

Resumo

A mídia consiste em um instrumento estratégico formulador e propagador de opiniões, saberes e valores, capaz de exercer o que Aníbal Quijano denomina “controle da subjetividade”. Partindo dessa premissa, o presente trabalho tem como objetivo geral demonstrar como, no âmbito das relações internacionais, a mídia compõe o arsenal de ferramentas de exercício de poder das potências Ocidentais, especialmente dos Estados Unidos, constituindo-se em um dos alicerces contemporâneos da manutenção da liderança hegemônica deste país. O trabalho utilizará como conceito-base a “colonialidade do poder”, também de Quijano, cuja abordagem destaca a face da dominação cognitiva inerente à modernidade eurocêntrica. Assim, será demonstrado como a mídia, ao promover o controle de subjetividade a favor das grandes potências Ocidentais, se insere na continuidade desse padrão moderno de dominação. Para exemplificar o modus operandi dos conglomerados midiáticos Ocidentais, será destacado o caso da cobertura da tentativa de golpe contra o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela, em 2002, com base em reportagens e documentários que relevam a distorção midiática do evento, padrão que se repete na cobertura dos governos bolivarianos deste país.

Biografia do Autor

Ricardo Bruno Boff, Universidade do Vale do Itajaí

Possui graduação em Direito pela Fundação Universidade Regional de Blumenau (2006), especialização em Relações Internacionais pela Universidade Federal do Paraná (2009) e mestrado em Relações Internacionais pela Universidade Federal de Santa Catarina (2015). Seus estudos e pesquisas concentram-se nas áreas de política internacional, política externa brasileira e integração regional, com ênfase na América Latina. No campo do regionalismo sul-americano, desenvolveu estudos sobre a integração de infraestrutura sob a ótica da decolonialidade do poder. Atualmente é professor no curso de Relações Internacionais da Universidade do Vale do Itajaí - UNIVALI.

Adriela Sutil da Rocha, Universidade do Vale do Itajaí

Possui graduação em Relações Internacionais pela Universidade do Vale do Itajaí (2016), tendo investigado temas relacionados à mídia e colonialidade do poder.

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Publicado

31/12/2017

Como Citar

Boff, R. B., & Sutil da Rocha, A. (2017). Mídia, poder e controle de subjetividade: a distorção da tentativa de golpe de 2002 na Venezuela. RELACult - Revista Latino-Americana De Estudos Em Cultura E Sociedade, 3(3). https://doi.org/10.23899/relacult.v3i3.528

Edição

Seção

Artigos - Fluxo Contínuo