A colonização como dispositivo de saber a partir da escrita de Gloria Anzaldúa

Autores

  • João Paulo Ferreira Tinoco UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL

DOI:

https://doi.org/10.23899/relacult.v7i4.2032

Resumo

As discussões que aqui emergem fazem parte dos estudos que são desenvolvidos no grupo de estudos Celebração dos Sujeitos Periféricos, na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, campus de Três Lagoas, supervisionado pela professora Dra. Vânia Lescano Guerra. Além disso, esta pesquisa faz parte das reflexões de minha tese de Doutorado cujo objetivo geral é estudar o processo de constituição identitária da mulher Chicana, a partir da obra Borderlands/La frontera: the new mestiza (2012) escrita por Gloria Anzaldúa, sobretudo as possíveis representações de identidade, com o intuito de rastrear os efeitos de sentidos de disciplina colonizadora que a mulher Chicana ainda está enfrentando atualmente. Para isso, é necessário a crítica do estudo das relações de saber/poder (FOUCAULT, 2014), via Análise do Discurso. Buscamos também noções sobre o lugar geoistórico (NOLASCO, 2013), sob a visão discursivo-desconstrutiva (GUERRA, 2015; 2016), para rastrear como a colonização da mente/do saber é engendrada. Minha hipótese é que a escrita pode ser examinada como um palimpsesto em que marcas sobrepõem a outras e que não conseguem ser exauridas. Nas análises pude observar que a escrit(ur)a está permeada de dispositivos caracterizados por uma violência disciplinadora praticada pelo homem branco através da incitação ao ódio e pela discriminação étnica e sexual. O que pude examinar na escrit(ur)a analisada é que há marcas visíveis de controle e silenciamentos, que consolidam o sistema de colonização, na busca de uma excludente anulação, deslegitimando a autonomia da mulher Chicana.

Biografia do Autor

João Paulo Ferreira Tinoco , UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL

Mestre e doutorando em Letras; UFMS; Três Lagoas, Mato Grosso do Sul, Brasil; lajptinoco@gmail.com.

Referências

ANZALDÚA, Gloria. Borderlands/la frontera: the new mestiza. San Francisco: Aunt Lute Books, 2012.

______. Interviews. Ed. AnaLouise Keating. New York: Routledge, 2000.

AUTHIER-REVÚZ, Jacqueline. Palavras incertas: as não-coincidencias do dizer. Campinas: UNICAMP, 1998.

CASTELLS, Manuel. O poder da identidade. Trad. Klauss Brandini Gerhardt. São Paulo: Paz e Terra, 2013.

CASTEÑADA, Antonia I. Sexual violence in the politics and policies of conquest: Ameridian women and the Spanish conquest of Alta California. In: TORRE, Adela de la; PESQUERA, Beatríz M. (Ed.). Building with our hands: new directions in Chicana studies. Los Angeles: University of California Press, 1993. p. 15 – 33.

CORACINI, Maria José. A celebracao do outro: arquivo, memória e identidade: línguas (maternal e estrangeira), plurilinguismo e traducao. Campinas: Mercado da Letras, 2007.

DERRIDA, Jacques. Anne Dufourmantelle convida Jacques Derrida a falar da Hospitalidade. Trad. Antonio Romane. São Paulo: Escuta, 2003.

GUERRA, Vânia M. L.; ALMEIDA, Diego de. Um olhar foucaultiano sobre a lei Maria da Penha: discurso e desconstrução. In: GUERRA, Vânia M. L.; NOLASCO, Edgar C. (Orgs.). Michel Foucault: entre o passado e o presente, 30 anos de (des)locamentos. Campinas: Pontes, 2015. p. 185-206.

GUERRA, Vânia M. L.; NASCIMENTO, Celina Aparecida G. de Souza; SOUZA, Claudete Cameschi de. (Orgs.). Sociedade contemporâneas: diversidade e transdisciplinaridade. Campinas: Pontes, 2016.

GUERRA, Vânia M. L. As fronteiras da exclusão: o discurso do outro e o processo identitário do indígena. In: BESSA-OLIVEIRA, Marcos Antônio; NOLASCO, Edgar Cézar; GUERRA, Vânia M. L.; S. Freire, Zélia R. Nolasco dos. (Orgs.). Fronteiras platinas em Mato Grosso do Sul – (Brasil/Paraguai/Bolívia) – biogeografias na arte, crítica biográfica fronteiriça, discurso indígena e literaturas de fronteira. Campinas: Pontes, 2017. p. 95-122.

HAN, Byung-Chul. Topologia da violência. Trad. Enio Paulo Giachini. Petrópolis: Vozes, 2017.

FOUCAULT, Michel. A ordem do discurso: aula inaugural no Collège de France, pronunciada em 2 de dezembro de 1970. Trad. Laura Fraga de Almeida Sampaio. São Paulo: Edições Loyola, 2013.

FOUCAULT, Michel. A Arqueologia do Saber. Trad. Luiz Felipe B. Neves Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2014.

MIGNOLO, Walter D.; WALSH, Catherine E. On decoloniality: concepts, analytics, práxis. Durham: Duke University Press, 2018.

NOLASCO, Edgar Cézar. Perto do coração selbaje da crítica fronteriza. São Carlos: Pedro & João, 2013.

NOLASCO, Edgar Cézar. Crítica biográfica fronteiriça (Brasil/Paraguai/Bolívia). CA-DERNOS DE ESTUDOS CULTURAIS: Brasil/Paraguai/Bolívia, Campo Grande: UFMS, v. 7, n. 14, p. 47-63, jul./dez. 2015.

SANTOS, Boaventura de S. Para além do pensamento abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes. In: SANTOS, Boaventura de S.; MENESES, Maria Paula. (Orgs.). Epistemologias do Sul. Coimbra: G.C., 2010. p. 23-71.

Downloads

Publicado

30/04/2021

Como Citar

Tinoco , J. P. F. (2021). A colonização como dispositivo de saber a partir da escrita de Gloria Anzaldúa. RELACult - Revista Latino-Americana De Estudos Em Cultura E Sociedade, 7(4). https://doi.org/10.23899/relacult.v7i4.2032

Edição

Seção

Latinidades – Fórum Latino-Americano de Estudos Fronteiriços