Cultura e mercadoria: perspectivas do turismo comunitário na América Latina

Aracelli Bianchin, Bruno César Alves Marcelino

Resumo


A mundialização do capital gerou muitos desafios para os países latino-americanos, especialmente para as comunidades tradicionais e indígenas que inseriram no mercado global. Este artigo traça um debate preliminar sobre o turismo comunitário, ferramenta do capital, que passou a integrar as atividades econômicas das comunidades tradicionais e indígenas na América Latina. Trata-se de uma pesquisa qualitativa realizada por meios bibliográficos, documentais e com coleta de dados em três comunidades indígenas em Puerto Iguazu na Argentina. Conclui-se que o turismo se apropria e comercializa o “exótico” das comunidades e também contribui com a economia local. No entanto, o diálogo entre os atores envolvidos (Estado, empresas, ONG´S e comunidades) precisa ser aprofundado, numa construção onde os protagonistas sejam as próprias comunidades para evitar a expropriação de suas culturas. Na América Latina as comunidades têm se organizado em redes e o turismo comunitário teve participação no reconhecimento das mesmas a partir de ações e criação de políticas públicas. Em Puerto Iguazu as três experiências conhecidas retratam três formas distintas de atuação do turismo e apenas uma delas vincula-se diretamente os princípios do turismo comunitário.

Palavras-chave


Turismo comunitário; cultura; comunidades tradicionais e indígenas e políticas

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DOI: http://dx.doi.org/10.23899/relacult.v3i3.828

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