Do Corpo-país-invadido ao Corpo-mulher-violada: Nuances da Invasão em Sangria (2017), de Luiza Romão

Guilherme Medeiros

Resumo


Sangria (2017), de Luiza Romão, estabelece intersecções entre a colonização enquanto invasão das terras e enquanto invasão do corpo feminino. Seus poemas são acompanhados de fotografias em que esses corpos representam o país invadido. A primeira seção é composta por poemas que emulam itens de uma certidão de nascimento. A hipótese é de que, em consonância às categorias de análise levantadas, esses poemas refiram-se mesmo à certidão de nascimento do Brasil enquanto colônia de Portugal. Os outros capítulos desmembram-se em etapas do processo de desenvolvimento de um corpo-mulher associadas a diferentes momentos do processo colonizatório. Os capítulos subsequentes, se lidos conforme a chave de compreensão histórica do processo colonizatório, bem como apoiando no que se sabe acerca da violência de gênero que se perpetua, possibilitam observar a violência contra a mulher no Brasil e associá-la à manutenção dos ideais patriarcais que sobrevivem desde a invasão, em 1500. A proposta, portanto, é, a partir da leitura de seus poemas, destrinchar a colonialidade de modo a abrir caminhos para uma possibilidade de compreensão mais extensa, por exemplo, da situação política do Brasil de 2013 até então, considerando a permanência de uma estrutura colonial adaptada, que reverbera em toda a sistemática política, social, cultural e econômica do Brasil pós-colonial. Fez-se necessário recorrer às considerações de Marilena Chauí (2017) e Lilia Moritz Schwarcz (2019), todos se referindo ao colonialismo e a violência constitutiva do Brasil, além de Jean-Luc Nancy (2015), em relação às possibilidades de desenlace do corpo de prazer.



Palavras-chave


Poesia contemporânea brasileira; Luiza Romão; colonialismo; corpo

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DOI: http://dx.doi.org/10.23899/relacult.v6i1.1834

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